sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

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Tive bicho de pé na mão
Sou incomum, não é uma escolha
Não posso me curar
Estive bem
Bem afetada
Bobeira 
Quando o poeta escreve sua profunda tristeza
É feliz
Mas quem tem bicho de pé na mão
Nunca vive sem exclamação
O homem me disse: você precisa de alguém feio
E o feio não me agrada
Mas se o bonito incorpora alma 
De tão feio bonito vira
Mas é bonito, é bonito!
A galinha botava seu ovo e pensava
Tão bonito!!
E não era sua casca sem vida
Então de que servem os olhos, se importam as retinas?
De que servem os as falas se importam o que se faz?
Mas  se vê com o olho, e tem fala que é beijo.
Ai bicho de mão volta pro pé. 
Vai Zé bichão, é bonito e é bonito!


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O outro no teu lugar

O problema sempre foi esse, meu excesso de compreensão, desde pequena eu já tinha certo interesse nos outros. Minha mãe conta que quando eu tinha meus 3 anos, morrendo de medo do monstro meleca, no teatro, assustador, eu corri e o abracei, me lembro muito bem, que eu tinha medo dele, muito medo, mas eu ficava olhando as crianças abraçarem todos os outros personagens e artistas, e o pobre monstro sózinho, eu pensava que talvez ele fosse um monstro por isso, ninguém o abraçava, ninguém compreendia suas dores e seus defeitos, talvez só o desprezo tenha feito dele uma pessoa pior, e isso superava meu medo, corri e abracei, onta minha mãe que ele se emocionou, que todo mundo achou bonito, eu não me lembro de mais nada além da pena que eu sentia dele e de como acreditei na minha teoria. Outra vez foi com um homem do saco, que bateu a minha porta, e eu quis conversar com ele para saber o que ele queria ou porque ele era meu inimigo; minha irmã saiu me arrastando pela varanda devido a tamanho perigo. Na escola, as minhas amigas sempre foram aquelas que mas sofriam "Bulling", eu era simpática, mas era a magricela CDF, que tirava nota boa e amava ler e estudar, e brigava por justiça, a típica chata que toda sala tem, as populares me odiaram, só pela minha falta de interesse em fazer parte ad galerinha delas, ou pelo fato de existir mesmo, mas isso não me afetava tanto quanto o fato, daquelas meninas esquecidas no canto de uma sala lotada, eu gostava de ser amiga delas, de ouvir, de conversar, de fazer as tarefas delas. Já era adolescente quando comecei fazer amigos mais normais, menos problemáticos, mas ainda assim, sempre tive queda pelo esquecido.

E assim toda vez que eu ouvia uma justificativa, eu compreendia, e passava a fazer parte daquilo, depois virei uma conselheira de plantão. Achava que isso era uma qualidade boa, mesmo sabendo que as vezes eu era tola, e que na minha justiça muitas vezes fui injusta a mim. Nunca acreditei e nem consigo acreditar que monstros são só monstros, sempre pensei que o ódio é um amor ferido, acabei vendo poesia na dor alheia, sempre achei que nós foram feitos para desfazer, e muitas vezes eu acreditei que estava ali por isso, como se fosse o propósito do ser humano ajeitar aquilo que outro deixou desarrumado, como se fosse minha missão deixar um pequeno alívio aonde passar, ajudar. E que os vilões foram criados por seus próprios sentimentos mal resolvidos, sempre achei que o amor era capaz de curar qualquer mal, e que ninguém resiste ao amor, e ao privilégio de ser amado. Não é que eu seja excessivamente boa, não, jamais, tenho tantas qualidades, quanto mais defeitos para serem descritos, e se eu fosse de fato muito bondosa, teria coragem de escrever mais defeitos aqui. E não que eu ache essa uma qualidade, pois foi ele, esse meu desejo pelas profundezas dos outros que muitas vezes me fez concessiva, em detrimento do meu orgulho, ego, amor próprio. É profuso isso de entender o outro, ainda que eu esteja uma confusão, e não negue. Tenho a necessidade de falar, e quando não falo, escrevo. E as vezes escrevendo me descrevo demais, e conto os segredos, e comigo mesma me torno desleal. Talvez esse seja meu maior defeito, entre tantos outros, me colocar no lugar do outro, e colocar o outro no peito, sem nada cobrar. Tente você se colocar em meu lugar.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O barco, homem e beija-flor

Na beira do cais um barco que perdeu o rumo, navegava chegando a um destino desconhecido.
Era o princípio de um novo início, sem compromisso com o velho, era um botão de rosa esperando para desabrochar, era uma pétala que se soltava de uma flor, e um metal que emitia um som que vinha de muito longe. 
No silêncio das almas, habitava uma brisa celeste que cobria qualquer olhar com névoa um trabalhador  compenetrado, em seu ofício, havia uma queixa dentro de si, uma força adormecida, que não advinha de seus músculos, seu pensamento sobressaltava, tudo que era pra viver, a fantasia do que gostaria ser. Era mais do que realizava, era o sonho que tinha, e o sentimento que sentia. 
Pensava no barco que chegara, sem identidade ou documento e se via como ele, ele vinha colecionando derrotas ao longo espaço de tempo, era apenas ele, e nada lhe importava alem do que era. Um homem e um barco abandonado a beira do cais, sem destino, só o curso do rio lhe daria um destino, aonde isso iria dar?

Arrumava sua rede de pesca, e pensava na morena que lhe tirou sossego, uma lagrima banhava seu rosto umedecido de suor, já não iria fazer diferença alguma misturar todos líquidos que seu corpo poderia produzir. É que a tragédia é bela nos romances e nos contos de fada, quanto a ele, só tinha um barco vazio de lembranças, e partiria antes que encontrasse um outro dono. Sem cabo na nau, qualquer sopro se tornaria seu guia. Por um instante sentiu-se sortudo por ter um novo destino para perseguir, pela chance de um recomeço, mas estava muito partido para qualquer sentimento bom tomasse seu coração. 

Morte, essa senhora cruel, que rouba os sonhos das pessoas, levou sua esperança, e os ventos pareciam errar a direção. Não era a primeira vez que a foice lhe furtava, era um homem de perdas, quando morre alguém que a gente ama, alguma coisa dentro da gente morre um pouco também. Era um pescador de sonhos que nasciam mortos, sentou-se para observar as ondas, e ele se sentia um pouco em putrefação, e viu a flor murcha caída no chão, e sentiu raiva, da coisas que não são eternas, da fragilidade da vida. Um beija-flor pousava na morte como se sentisse a falta da vida que ali existiu, e tudo parecia soar como menção daquilo que vivera, era um sinal, ou qualquer coisa pra lhe atingir, ou qualquer punhal atracado em seu peito, apenas vinha tudo como deboxe. Acendeu seu cigarro de palha guardado atras da orelha, e pulou no barco, o beja-flor sentou-se ao seu lado, os dois se olharam e entenderam sua dor, por isso naufragaram rio a fora, o beija-flor e o homem com voo recolhido, com coração partido.

Algum dia ouvi falar, que nunca se viu ninho mais bonito do que esse que foi construído, em uma ilha distante. O passarinho que era tão pequenino, dedicou seus dias para ensinar um homem sem asas voar, e o homem que era forte meticulosamente ensinava o beija-flor construir e sonhar. . . As marcas do passado, eram uma tatuagem cicatrizada, que os tornavam cada vez mais belos, quando encontraram dentro a vida, e o privilégio das boas lembranças de um grande amor de verdade. A felicidade é mesmo coisa muito simples, e rara pra quem consegue entender, que um pedaço de pão não precisa ser só um pedaço.